Sexta-feira, 7 de Março de 2008

Estabilidade?!




Após o fracasso que foi o jantar em que conheci os pais do Matt, decidimos que bastava apenas a nossa opinião e o que sentiamos um pelo outro, para avançarmos com qualquer plano. Tinhamos construído a nossa relação e tinhamo-la vivido sozinhos até então, e por isso, não havia qualquer necessidade de incluir mais alguém. Como jovens que eramos tinhamos a certeza que não necessitavamos dos conselhos de ninguém e muito menos a aprovação. Assim, continuámos a nossa vida em conjunto da mesma forma, trabalhando para o objectivo final: permanecermos juntos.

 

 

 

Com a chegada da primavera, Londres não estava tão sombria e fria e já era possível apreciar um bom passeio em Hyde Park. As árvores começavam a vestir-se de verde, as primeiras cores surgiam, os rostos londrinos iluminavam-se. Perante tal cenário, aproveitávamos todos os momentos que tinhamos para passear, pelas ruas, parques, jardins. Evitávamos ao máximo os espaços fechados, já que tinham sido o nosso refúgio todo o inverno. Queriamos paz e a melhor forma de a obter era refugiarmo-nos num qualquer parque, tendo apenas como companheiros os animaizinhos que por aí viviam: esquilos, corvos, patos, cisnes.

 

 

 

O Matt procurava com afinco uma casa para vivermos, enquanto terminava o curso e eu preocupava-me garantir que o semestre correria bem no final, pois assim sobrava apenas mais 6 meses para terminar. Já tinha delineado a minha vida, e apesar de saber o quanto era poderia mudar e o quão inesperada poderia ser essa mudança, esperava concretizar todas as minhas projecções a curto-prazo. No verão voltaria a Portugal para passar dois meses de férias e assim, seria a minha última grande estadia no meu país, pois pensava em mudar-me definitivamente para Londres e viver com o Matt.

 

 

 

A minha última estada em Lisboa havia deixado algumas marcas positivas e negativas, e tinha-me permitido ter uma visão mais abrangente da minha situação actual. Antes de ser confrontada com a questão “Joaquim”, tinha de alguma forma, uma réstia de esperança em relação a nós. Afinal tudo o que tinhamos vivido, prometido, sonhado, não poderia ter sido em vão. Não podiam ter sido apenas ilusões de adolescente, projectos irreais. No entanto, ao vê-lo com outra e ao sentir a sua frieza, estranhando-a pois não o conhecia assim, encarei a realidade. Realidade essa que era a nossa separação, a separação de dois caminhos que se uniram a outros e com outros seguiam diferentes rotas das antes traçadas. A inevitabilidade da vida era essa. Cair, levantar-se e seguir em frente. Perder e ganhar. Estagnar ou evoluir. Ambos tinhamos decidido ganhar e evoluir, seguir em frente, deixar o passado onde pertence. Na altura tive a certeza que tinhamos encontrado pessoas melhores, relações mais felizes e que nos preenchiam mais. Anos mais tarde percebemos de que o melhor é não ter certeza em relação a nada. A certeza é meio caminho para a desilusão ou derrota. É bom duvidar. É bom saber que nada está traçado ou definido, nós é que trabalhamos o destino à medida que ele se nos apresenta.

 

 

 

Porém, a carta do Joaquim não me surpreendeu. Sabia-o mudado, mas certas coisas permaneceriam sempre as mesmas e a memória de nós era tão boa, pura, tão feliz, que nem mesmo que ele deixasse de ser tudo o que era, iria querer estragá-la ou denegri-la. Recebi a sua carta com carinho, o carinho de um passado juntos, sem réstia ou vontade de esperança em relação ao futuro. Foi então que percebi que estavamos finalmente separados. Ambos tinhamos cortado os laços de amor que nos uniam e haviamos criado outros. Não pensei em responder, e nunca o fiz na realidade, nem o Joaquim me perguntou pela resposta. No intímo de cada um, era óbvio que não era necessário resposta. Sabiamos que terminava um ciclo e começariamos outro, tão distantes quanto era possível duas pessoas estarem após um relacionamento.

 

 

 

Em alturas de crise, gostaria de poder hoje em dia, sentir o distanciamento de outrora e também a sabedoria que ele me trouxe. O meu casamento com o Joaquim foi impulsionado por todas as coisas belas que nos uniam, naquele presente, no momento em que decidimos fazê-lo, sem pensar no passado. Por vezes essas coisas positivas parecem fazer parte de um oásis, que ao virar-mos costas ao caminho, podemos avistar. Já me começam a faltar as forças.........


 


 


 


 

Ass: Rosa

sinto-me: triste....
música: nelly furtado - what i wanted
marcadores:
escrito por reversivel às 20:23
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1 comentário:
De misskistch a 11 de Março de 2008 às 12:43
aiii, finalmente!!!!

gostei muito.

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