Domingo, 2 de Dezembro de 2007

Growing up


Viver em Londres nem sempre foi um mar de rosas, especialmente pela mentalidade daquele povo. Desde sempre que me deparei com pessoas muito frias, amigas da razão, calculistas e demasiadamente educadas. Umas dessas muitas pessoas, foram os meus “sogros”.

 

 

Visto que, já namoravamos há 1 ano e o Matt já tinha estado de visita a Portugal para conhecer os meus pais, decidimos que seria altura de ser apresentada aos pais dele. Sempre gostámos de viver a nossa vida de forma algo independente, sendo mais fácil e mais cómodo, ele estar comigo no meu quarto, onde dormia com a Brigida, do que irmos a sua casa. No entanto, já era altura. Depois de ele estar em Lisboa, de tudo o que haviamos passado, a nossa relação assumia novos contornos, mais sérios. Tinha pois chegado a altura de conhecer os seus pais e, posteriormente, anunciar a nossa mais recente decisão.

 

 

Sendo que o curso para o Matt acabava e a mim restava um ano e meio, ele começaria a trabalhar em breve. Já lhe haviam feito uma proposta irrecusável. Uma firma nova de design de interiores, algo inovador no mercado e, praticamente, inexistente em Portugal, convidou-o para integrar a equipa. O salário era bastante aliciante, assim como o trabalho e sempre com perspectivas de carreira. Tudo isso fazia com que ele andasse bastante entusiasmado e eu também, já que partilhava das suas alegrias e tristezas, como qualquer outra boa namorada. Desta feita, marcámos um jantar num restaurante fino e trocámos a nossa roupa do dia-a-dia, por algo um pouco mais formal. O Matt não me havia escondido nada acerca dos seus pais. Eram pessoas conservadoras, londrinos puros nos seus ideiais e nas suas atitudes perante a vida e suas situações.

 

 

Como era de esperar, eu estava uma pilha de nervos enquanto me preparava no quarto. Escolhi mil combinações de roupa, até que a Brigida me convenceu a ir com um fato preto, uma camisola rosa de caxemira e uns sapatos condizentes. Qualquer pessoa que me visse naquele dia, haveria de achar que eu era uma senhora da alta sociedade londrina. Curiosamente havia comprado todas aquelas coisas numa feira de artigos em segunda mão, com pequenos defeitos, restos de estação. Ao contrário dos pais do Matt, os meus não eram abastados. Viviamos bem em Portugal e com algum esforço conseguiam manter-me em Londres, mas pouco sobrava para comprar roupas, por isso recorria aos mercados e feiras na ruas.

 

 

Entretanto toca a campaínha, era o Matt. Estava todo arranjado, com um fato preto, camisa branca. Levou alguma gravatas, das quais escolhemos uma rosa da mesma cor que a minha camisola de caxemira. E lá fomos nós, enfrentar o frio da noite para encontrar os seus pais. Ao chegar, avistamos o pai sozinho na mesa. Nesse momento temi o pior. A Mãe dele não me queria conhecer, foi o meu primeiro pensamento. Aproximamo-nos da mesa e dissemos boa noite. O pai dele levantou-se, com um sorriso encantador e recebeu-me como se fosse uma filha. Nesse momento, senti que já tinha ali o meu primeiro aliado. Sentámo-nos, pois a Mãe do Matt havia ido à casa-de-banho e estava a demorar. Enquanto ela não chegava, o George, pai do Matt, fazia-me as perguntas da praxe, mostrando muito interesse por mim e mostrando-se um homem afável e divertido. No momento em riamos às gargalhadas, chegou a mãe, Elizabeth. Senti-me gelar quando ela me estendeu a mão e me disse boa noite com cara de poucos amigos.

 

 

            O jantar passou-se de forma algo embaraçosa, pois se, por um lado, o George sorria muito e dizia muitas piadas, a Elizabeth mantinha uma pose séria e parecia pertencer a um grupo de jurados a meio de um julgamento, olhando-me e analisando todos os meus passos. Quando abriu a boca foi apenas para comentar que o Matt passava muito tempo fora de casa, coisa que fez enquanto sorria de forma maliciosa, como quem quer dizer que a responsabilidade era toda minha. Inesperadamente, o Matt levantou-se da cadeira e disse em voz alta que me amava e que, visto que começaria a trabalhar em breve, assim que possivel gostaria de viver comigo. Fiquei completamente sem palavras perante tal pedido, mas muito feliz. O pai aprovou a ideia de forma carinhosa, mas a sua mãe levantou-se da mesa e indignada respondeu que se soubesse que o jantar haveria de ser por aquela noticia, não teria saído de casa.

 

 

Naquele momento, tive uma incrivel sensação de dejá-vu. Algo me remeteu directamente para a noite em que o Joaquim me pediu em casamento e o meu pai estragou os nossos planos e a nossa felicidade. Receava que o mesmo que me acontecesse com a mãe do Matt, receio este que era tão visivel que, o seu Pai pousou a mão em cima da minha e pediu-me que tivesse muita calma e paciência, pois o Matt era o menino da Mamã e ela apenas não estava preparada para abdicar dele. Com o tempo tudo se resolveria, prometeu-me o meu sogro.

 

 

Longe estava eu de imaginar que o filme se repetiria......


 


 


 


 

ASS: Rosa

sinto-me: natalícia
música: merry little christmas - christina aguilera
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escrito por reversivel às 00:23
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1 comentário:
De alexiaa a 16 de Dezembro de 2007 às 23:08
Hum...a trama adensa-se:))
Realmente aqui espera-se um pouco mas para o meu ritmo esta perfeito, se andasse mais depressa provavelmente não acompanharia:)

Beijo para os autores do blog e provavelmente o melhor é desejar já um Bom Natal:)

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