Terça-feira, 16 de Outubro de 2007

El niño



Ao regressar a Londres, parecia que um furacão havia passado pela minha vida, colocando a descoberto todas as minhas fraquezas, os meus medos, as minhas inseguranças. Esta transformação em mim teve, como é óbvio, repercussões na minha relação com o Matt, provocando algum afastamento e frieza da sua parte. Não podia deixar de o compreender. Ver todo o seu esforço, dedicação e paciência, durante meses a fio, cair por terra apenas por um encontro infeliz. Desta forma, estivemos quase duas semanas sem nos vermos. Se eu por um lado não o procurei, creio que ele compreendeu que eu precisava desse espaço e quis dar-me a provar um pouco do “veneno”.


 

Aquelas duas semanas foram amargas, vazias.... Era inegável que eu havia mudado a minha forma de amar, de me entregar, mas amava o Matt e ele fazia-me tanta falta....! Ainda assim, precisei daquele tempo. Precisei de pensar muito bem em tudo o que estava a fazer e planear ao lado dele. Faria algum sentido continuar a alimentar sonhos, expectativas e projecções se tudo não passasse de uma tela de surrealismo? Com a ajuda do descernimento que ainda possuia, consegui concluir que não, mas o tempo ajudou-me a perceber que a situação surreal se chamava Joaquim. Só ele era algo já tão fora da minha realidade, que nem poderia ser considerado uma ameaça. O impacto daquela noite não havia sido mais do que a surpresa de o ver e o nervosismo inerente a uma situação mal resolvida. Foi como que uma viagem no tempo e o constactar de como a vida muda tanto, em tão pouco tempo. Ali estavamos nós, ex-namorados, quase noivos, a apresentarmos os novos pares um ao outro. Depois das juras de amor, dos projectos, tudo tinha caido no saco do esquecimento. Cancelados os nossos momentos pela eternidade, haviamos encontrado noutros braços, um conforto feliz, um porto seguro que nos proporcionava a estabilidade necessária e nos permitia erguer novamente as defesas, sem perigo de nos embargarem a obra.


 

Volvidas essas duas fatidicas semanas, procurei o Matt e jurei-lhe o meu amor. Eterno jamais o seria, pois nós estavamos longe de alcançar esse estado, mas era sincero, era forte, e duraria o tempo necessário para deixar a sua marca nas nossas vidas, nas nossas histórias. Nós eramos feitos do mesmo tecido, ele proporcionava-me a estabilidade e a segurança que eu precisava, ao mesmo tempo que me surpreendia diariamente e dinamizava as nossas vidas. Eu dava-lhe o calor e a consciência do coração, combatendo toda a sua frieza e mania de seguir sempre a cabeça, ignorando os sentimentos. Funcionava como a sua consciência, o seu lado esquerdo. Despertava nele os mais nobres sentimentos e gestos e aos meus olhos ele era perfeito. Falámos sobre o episódio em Lisboa, era assunto ao qual não poderiamos fugir. Tinhamos que esclarecer tudo o que se havia passado naquela noite, para que não existissem dúvidas, inseguranças. Tive que falar-lhe da minha relação mais a fundo, explicar-lhe as razões da ruptura, para que ele assim conseguisse entender ainda melhor o motivo do meu choque. Expliquei-lhe também que, apesar do tempo passado, ainda estava vulnerável, ainda me sentia insegura e receosa de me entregar. Temia as consequências da entrega cega, do amor intenso e arrebatador que deixa um vazio no peito quando falta a outra metade do coração. Ele mostrou-me toda a sua compreensão e prometeu ser paciente, esperar que depositasse toda a confiança nele e fosse sempre a sua companheira e amor.


 

Voltámos à boémia londrina, entre concertos, galerias de arte, feiras de rua e passeios no parque. Embora a chuva fosse tudo menos convidativa a uma passeio no jardim ou na cidade, enfrentava-mo-la juntos, sem nunca perder o gosto. Fascinava-nos o cheiro a terra molhada, as noites frias passadas enrolados num cobertor, partilhando um chocolate bem quente. Foram dias tão perfeitos quanto os que passámos em Sines. Dias em que pensou em para sempre, em até ao fim das nossas vidas.


 

Em clima de felicidade, pensei por momentos em escrever ao Joaquim, para esclarecer todo aquele embaraço na noite em que nos cruzámos. Depressa desisti da ideia. Ele tinha sido mais do que explicito na sua carta. O que pretendia era distância e certamente por pensar que era a melhor atitude a tomar. Assim, deixei tudo nas mãos do tempo. Somente o tempo definiria se alguma vez voltariamos a falar.......

 

 

 

 

 

 

Ass: Rosa

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música: the white stripes - seven nation army
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escrito por reversivel às 23:26
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2 comentários:
De Devios a 17 de Outubro de 2007 às 19:36
A ser um jogo de futebol, tal atitude por parte da Rosa denominaria-se "catenaggio" que significa jogar pelo seguro!!! o texto está muito bom, agora vamos ver o que acontece do lado do quim!!!! Bj
De alexiaa a 7 de Novembro de 2007 às 20:36
Não creio que ela tivesse jogado pelo seguro, ha limites que só testamos quando confrontadas com o desafio certo. Ansio por esse momento:), parece-me que ira surgir!

Bj

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