Sábado, 7 de Julho de 2007

A vida em Londres

Nem tudo foram facilidades quando cheguei a Londres. Sempre soube que ser emigrante era dificil, talvez não estivesse preparada para tanta dificuldade e essencialmente, para tanta má vontade. Entre colegas de curso existia uma cooperação inata, eramos todos estrangeiros tinhamos que comunicar à força e com os meios que dispunhamos. A empatia com a Brigida foi imediata e na nossa primeira noite em local estranho, partilhámos quase toda a nossa vida, sorrindo. A sua situação era completamente oposta à minha. O seu namorado esperava-a em Milão e ambos acreditavam que aguentariam três anos de separação. Cedo se constatou que era uma tarefa demasiado árdua para alguém tão jovem.

 

Os primeiros meses em Londres oscilaram entre o auge da excitação e felicidade e a mais pura depressão, tanto para uma quanto para a outra. Não conheciamos a cidade e como ambas falavamos mal inglês, era dificil movimentar-nos. Os ingleses não falavam uma palavra de nenhuma língua sem ser da sua. Viviam como se do centro do mundo se tratassem e isso revoltava-me e a todos os meus colegas. Claro que, com o tempo fui entrando no seu ritmo de vida agitadissimo. Compreendi até porque tomavam tanto chá por dia. Divertia-me imenso à procura de pechinchas nos seus mercadinhos, deambulando à noite pelos pubs.

 

Poucas mulheres frequentavam o curso em que estava inscrita. Não que estas fossem menos artísticas que os homens, apenas porque o mundo ainda era um local machista. Qualquer mulher que estudasse mais que o ensino regular, era considerada uma privilegiada. Como estavamos em minoria, juntavamo-nos imensas vezes com os rapazes e iamos conviver para os bares. Desta forma conheciamos imensa gente, ingleses e estranjeiros de outras escolas e cursos. Foi assim que conheci o Matthew. Matt, como todos o chamavam. Era o ser mais popular que alguma vez havia conhecido. Popular não só pela sua beleza, mas essencialmente pela sua capacidade inata de fazer amigos, mostrando sempre um branco e perfeito sorriso a todos que encontrava. Invariavelmente, estava sempre rodeado de raparigas que reclamavam a sua atenção e um pouco da sua companhia. A principio julguei até que era uma dessas pessoas vazias que encontramos por aí. Homens cujo o único interesse é puramente carnal, algo que me repugnava especialmente.

 

Havia conversado com ele duas vezes. Era inglês, nascido e criado em Londres com um sotaque londrino, muito vincado. Era estudante de Arquitectura e um dos melhores alunos da sua universidade. No entanto, achei-o particularmente “espalha magia” e nunca lhe dei muito crédito, nem tão pouco me dei ao trabalho de ter uma conversa inteligente com ele. Ao contrário de mim, ele tentava abordar temas interessantes, tentativas falhadas perante a minha ironia. Só quando estive sozinha com ele é que consegui perceber as suas verdadeiras intensões.

 

“TRRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM”. Alguém colou o dedo à nossa campaínha aquela manhã. Com esforço levantei-me e fui abrir. Estava com uma dor de cabeça infernal, resultado da excessiva ingestão de alcóol na noite anterior. Ao abrir nada mais vejo que um enorme ramo de orquideas brancas. As minhas flores preferidas! Por entre os ramos lá encontrei a cara do moço de entregas, que me diz em inglês quase imperceptível, “são para Rosa Trindade”. Fiquei muito espantada, estava convencida que fossem para a Brigida, pois um polaco andava a fazer-lhe a corte.

 

Encontrei um pequeno cartão pendurado e após ter cheirado insistentemente aquele aroma magnifico, arranjei uma jarra e coloquei-as dentro de água. Fiquei com o cartão na mão, em jeito de menina curiosa, mas temerosa pelo que fosse ler. Abri-o cuidadosamente e li o seguinte repto: “Porque sou mais do que pensas, encontro-te na ponte de Londres, às 21h. Não aceito não como resposta”. Só quando vi a assinatura dele é que me apercebi de tudo e completamente estupefacta sentei-me no sofá.

 

Entretanto, a Brigida que havia acordado quando tocaram à porta, aparece à porta do quarto e pergunta-me “Quem era?”, mas ao ver a minha cara, precipitasse para mim e retira-me o cartão das mãos. A sua reacção foi a mesma que a minha, apenas com o acrescento de um “Ma che catzo...?”.... Ficámos sem palavras.

 

Hoje em dia semelhante convite não causaria o mesmo efeito em mim, mas com certeza que gostaria de reecontrá-lo. Houve alturas em que desejei nunca ter saido da sua companhia.....


 


 


 


 

Rosa


 


 


 


sinto-me: feliz!
música: ficar - margarida pinto
marcadores:
escrito por reversivel às 22:39
link do post | opina | favorito
|
3 comentários:
De Tuga em Londres a 10 de Julho de 2007 às 10:42
Estou a gostar muito de ler o teu blog e as tuas historias, principalmente as que se referem a Londres. E muito interessante ler sobre as experiencias de outros Portugueses em Londres e a forma como escreves e cativante. Continua, conta mais sobre as tuas experiencias passadas em Londres.
De Marcos a 29 de Dezembro de 2010 às 18:14
Gostaria de usar este espaço para fazer um apelo;

N confiem na PACK AND GO enviei minha mudança pela PACK AND GO e o container da PACK AND GO foi APREENDIDO PELA RECEITA.


Nas mais de 20 ligacoes internacionais que fiz para a Pack and GO, nunca consegui alguem para me dar nenhum tipo de orientacao sobre o que está acontecendo.

FAZEM 10 MESES QUE MINHA CARGA FOI ENVIADA PELA PACK AND GO E NADA. EU honestamente n acredito que irei receber meus pertences. So continuo indo atras pois tenho mais de 50 livros da minha Pos Graduacao, que n conseguirei achar novamente. Minha bike e a maquina de fazer joias da minha mulher tambem estao la dentro.

EH DESESPERADOR O QUE ESTAMOS PASSANDO. A PACK AND GO N EH CONFIAVEL. OS ATENDENTES NA MAIORIA DAS VEZES DIZEM QUE NADA PODEM FAZER E QUE NA PACK AND GO TUDO EH SIGILOSO.

NAO QUERO MAIS NADA COM A PACK AND GO. NUNCA UTILIZARIA NOVAMENTE OS SERVICOS DA PACK AND GO E AFIRMO CATEGORICAMENTE PARA QUEM TIVER JUIZO, NAO USEM A PACK AND GO. SE VOCE REALMENTE ESTIVER INTERESSADO EM RESOLVER NOSSO PROBLEMA, ME PASSE O NUMERO DO CONTAINER POR ESTE FORUM.

NA RECEITA FEDERAL DISSERAM QUE ESSE 'golpe' é antigo, a empresa despacha várias cargas de várias pessoas em nome de uma só para facilitar o desembaraço ou driblar imposto e que a PACK AND GO é CONHECIDA por dar problemas.

NAO LIGO PRA SIGILO, queria so o número do container para que eu possa contratar um despachante para fazer a separação das minhas coisas das coisas das outras pessoa que também estão a ver navios com a PACK AND GO, QUERO VER SE A PACK AND GO EH TRANSPARENTE OU ESTA APENAS TENTANDO EVITAR UMA CAMPANHA NEGATIVA.

SOU ESPECIALISTA EM MARKETING E VOU FAZER O QUE PUDER PARA REPRODUZIR A MINHA HISTORIA COM A PACK AND GO PELOS QUATRO CANTOS DA INTERNET, EM INGLES, PORTUGUES e ITALIANO, SO PARA TER CERTEZA QUE OS CLIENTES QUE ESCOLHEREM A PACK AND GO TERAO CONSCIENCIA QUE ELES CORREM O RISCO DE PERDER TUDO.

SO PRA CONSTATAR A CARTA QUE A PACK AND GO DISSE QUE ENVIOU PARA TODO MUNDO, NOS NUNCA RECEBEMOS. O ESCRITORIO DE ADVOCACIA QUE ESTA CUIDANDO DO DESEMBARACO DA NOSSA CARGA, NAO ATENDE O TELEFONE E NAO EXISTE EM NENHUMA LISTA TELEFONICA.

COMO CONFIAR?

MARCOS PAVANELLI LIRA

De Tereza a 26 de Outubro de 2016 às 10:03
Tambem estou com problemas! Todas as minhas coisas de valor nao foram entregues!
Voce conseguir rever seus pertences?

Comentar post

badge

.reversibilidade ao pormenor

.pesquisar

 

.Abril 2009

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.clica para fugir daqui

.marcadores

. todas as tags

.o nosso dia-a-dia

.O que se ouve por aqui

blogs SAPO

.subscrever feeds