Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

Londres, here i go....

Após a minha decisão radical de terminar o namoro com o Joaquim, a minha vida jamais foi a mesma. Além de me encontrar em contagem decrescente para Londres e três anos do curso que sempre sonhei, sentia-me tão vazia e sozinha quanto uma árvore despida de folhas no Inverno. Todos os meus acordares eram cinzentos, regados de lágrimas. Os dias passavam pelo meu corpo dormente, como se este tivesse adormecido para a vida, mergulhado num eterno cansaço. Isolei-me bastante, ao ponto do meu primo João me visitar todos os dias na esperança de conseguir fazer-me esboçar um sorriso. Só a ideia de que poderia encontrar o Joaquim na rua e ter que lhe dirigir um simples “Olá” sem poder tocar-lhe, beijar os seus lábios, abraçá-lo, aterrorizava-me. Nem sequer colocava a hipótese de o ver com outra rapariga, pois isso sim, ia destruir-me por completo.

 

Como uma boa filha faria, acatei uma ordem do meu pai. Ordem esta que me fez morrer por dentro, coisa que para ele pouca diferença fazia. Nos dias seguintes andei atarefada a tratar da minha viagem e todos os seus pormenores. Iria para Londres, estudar numa boa escola, viver muitas aventuras, conhecer novas pessoas. Tentava pensar positivo, afinal podia escolher como estar na vida e triste com certeza não era a melhor forma. Com tudo o que tive a tratar, consegui abstrair-me da dor e até relaxar e sorrir.

 

Estava uma noite quente, decidi sair para passear um pouco. Naquela altura as ruas ainda eram seguras. Ao caminhar pelas ruas da minha cidade, pisava já as primeiras folhas caídas, que anunciavam a chegada do Outono. Dei por mim a reflectir na mudança e em como tudo muda, tudo gira como um grande ciclo. Nenhum Verão é igual, nenhuma Primavera é a mesma, mas com a sua chegada todas as flores desabrocham. As mesmas flores, ano após ano. As mesmas árvores que agora se despiam, iriam vestir-se de verde viçoso e bonito, assim que chegasse a Primavera. Tentei encaixar esse pensamento na minha vida.

 

Enquanto caminhava estes meus passos distraídos, percorri toda a cidade. Era estranho fazê-lo sozinha, pois já o havia feito com a melhor das companhias... Ao passar por um banco de jardim, ouvi uma gargalhada familiar, que me acordou do meu sonho instrospectivo. Olhei para trás e qual não é o meu espanto quando constato que era o Joaquim. Não estava só. Gargalhava junto de uma bela rapariga, nossa conhecida. Foi como se mil punhais se espetassem no meu peito! Com as lágrimas a querer espreitar, sustive a respiração e continuei o meu caminho. Era melhor assim.

 

Chegado o dia de partir para Londres, entrei para o avião sem sequer olhar para trás. Pouco me importava os que acenavam para se despedir, eram quem me tinha arrastado para aquele fim. Chegada ao destino, foram buscar-me ao Aeroporto e levaram-me directamente para a residência. A minha colega de quarto chamava-se Brigida, era italiana, tinha vindo de Milão de propósito para estudar Belas Artes. A empatia entre nós foi imediata, senti que iria passar muitos momentos especiais naquele local estranho, junto com aquela que se iria revelar mais tarde, a minha melhor amiga, companheira, confidente. A que me deu mais força, me acompanhou em todas as aventuras. Sorrimos, chorámos, cantámos, estudámos. Eramos como irmãs e ainda hoje mantenho o contacto com ela, apesar de ela continuar em Londres e eu ter regressado a Portugal. A Brigida era uma mulher forte, bela e determinada. Como italiana que era, possuía uma paixão pela vida incrível e inspiradora. Ao seu lado nada era monótono, tudo tinha magia e cor. Fomos as melhores no nosso curso, embora todas as nossas noites se resumissem a borga e os nossos dias não fossem em absoluto, dedicados ao estudo.

 

Agora que olho para trás, apercebo-me que foram os melhores três anos da minha vida, ainda que afastada do Joaquim. Creio que só com os anos é que percebemos que certas coisas deviam ser mantidas como estão. Uma relação que acaba uma vez, está para sempre condenada ao fracasso. Ou pelo menos a minha com o Joaquim, definitivamente está..........

 

 


Ass: Rosa

sinto-me:
música: chris daughtry - it's not over
marcadores:
escrito por reversivel às 04:18
link do post | opina | favorito
|
1 comentário:
De Desvios a 12 de Junho de 2007 às 16:21
Já que ninguém comenta eu vou fazê-lo!!! Nota-se uma evolução na tua escrita, apesar de tu a achares repetitiva. Isso será um problema com o qual terás de aprender a viver. As pessoas mais difíceis de satisfazer somos nós próprios. Este foi o pensamento Zen da semana!!!! Beijo

Comentar post

badge

.reversibilidade ao pormenor

.pesquisar

 

.Abril 2009

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.clica para fugir daqui

.marcadores

. todas as tags

.o nosso dia-a-dia

.O que se ouve por aqui

blogs SAPO

.subscrever feeds