Terça-feira, 15 de Maio de 2007

Aperto

Ainda guardo na memória o dia em que tive a brilhante ideia de pedir a mão da Rosa em casamento ao seu pai. Provavelmente teria feito mais sentido casar num impulso sem informarmos ninguém. Contudo, não foi essa a nossa decisão, não fosse o pai dela criar ainda maiores entraves à nossa relação. Sem saberem porquê, tanto os meus pais como os da Rosa foram convidados para jantar na casa dos primos desta. Durante a recepção e o jantar divertia-me sondando as caras dos nossos progenitores, em busca das respostas, sem saberem eles que a resposta seria a mais óbvia, apesar de surpreendente.

 

 

O jantar mais não foi que uma amena tertúlia, apesar de sentir um nervosismo natural de situações como a que descrevo. Finda a refeição achei que era o momento de esclarecer todos sobre o propósito daquela reunião. Ao levantar-me, olhei para a Rosa para que ela também o fizesse, olhando de seguida os meus pais, e só de seguida os dela. Tanto os meus como os da Rosa estavam incrédulos, finalmente se tinham apercebido do que estava prestes a acontecer. Dei a mão à Rosa e após ter respirado fundo comecei a falar. Expliquei-lhes que a nossa relação já tinha avançado muito e que apesar da nossa jovialidade estávamos certos da nossa decisão. Queríamos casar, queríamos ser felizes juntos e queríamos, por fim, que todos aqueles presentes na sala partilhassem da nossa felicidade.

 

 

Levantou-se logo um burburinho, o possível dado o diminuto grupo reunido. Face ao silêncio do pai da Rosa temi o pior, pelo que tentei manter o meu semblante inalterado. Quando finalmente decidiu dizer de sua justiça, eu não quis acreditar nas palavras por ele proferidas. Informou-me que tinha planos académicos para a Rosa. Desejava que ela fosse estudar belas artes para o estrangeiro. Só então percebi que a sua ideia tinha sido a de permitir o namoro, nunca esperando que se fosse desenvolver para algo mais, pois estaria, à partida, condenado com a saída da Rosa do país.

 

 

Neste momento, a minha expressão já há muito deixara de ser a de pajem que traz boas novas. Todo o meu mundo desmoronara-se ,como se de um castelo de cartas se tratasse, nestes breves segundos. Tinha sido ludibriado pelo pai da Rosa, tinha perseguido um amor à partida condenado. Apertei a mão da Rosa como que dizendo "não te quero deixar ir", quero que fiques aqui comigo. Este aperto não fora retribuído, pelo que olhei para ela. Estava atónita, e quando se apercebeu do que o pai tinha dito sentiu-se mal e desmaiou. Tive somente tempo de impedir que a sua cabeça embatesse com violência no chão. A sala estava sobressaltada com toda a tragédia grega que nela se encenava. Peguei na Rosa e levei-a para o quarto do João.

 

 

Quando recuperou os sentidos, estava visivelmente combalida, reconfortei-a dizendo que estaríamos sempre juntos, não tendo ainda noção da tarefa hercúlea que se nos apresentava. Pelo que consegui apurar, a decisão do seu pai era irrecorrível, e além disso tinha imposto um prazo de validade à nossa relação. Ainda assim prometi à Rosa que nada nos aconteceria, que tudo manter-se-ia na mesma.


 


 


 

Ass: Quim

sinto-me: motivado
música: Funky Generation - Funkoffandfly
marcadores:
escrito por reversivel às 23:44
link do post | opina | favorito
|
badge

.reversibilidade ao pormenor

.pesquisar

 

.Abril 2009

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.clica para fugir daqui

.marcadores

. todas as tags

.o nosso dia-a-dia

.O que se ouve por aqui

blogs SAPO

.subscrever feeds