Segunda-feira, 7 de Maio de 2007

Uma verdadeira surpresa

O meu namoro com o Joaquim teve, sem dúvida, dois momentos bastante decisivos. O jantar de apresentação e oficialização em casa dos meus pais e o pedido de casamento. Depois daquela tarde romântica em Sintra, que culminou com o nosso noivado, era necessário reunir as familias e declarar, perante todos, a nossa vontade. Ambos estavamos certos da nossa decisão, mas precisávamos de aguardar um pouco mais e preparar as nossas familias para este acontecimento. Afinal, eu tinha 17 anos e o Joaquim, 19. Para a altura não era invulgar casar tão cedo, mas novos valores começavam a fazer parte do dia-a-dia das pessoas, tinham passado 6 anos desde a revolução e muita coisa havia mudado.

 

Durante várias semanas, mantivemos o nosso noivado em segredo para os nossos pais, apenas os meus tios e o primo João sabiam de toda a história. Claro que estes nos deram todo o seu apoio e sugeriram até que o jantar fosse em casa deles, por representar território absolutamente neutro. Outra vantagem era o facto de os meus tios conhecerem os pais do Joaquim e os meus. Assim, gerar-se-ia um clima mais intímo, leve. Ambos concordámos com esta ideia e acordámos com os meus tios que o jantar seria do presente dia a duas semanas. Assim teriamos tempo de preparar ambas as familias.

 

Naquela noite mal dormi, pensando como haveria de dar a boa nova aos meus pais. Não era uma tarefa fácil e sabendo como avesso era o meu pai às surpresas, tinha algum receio que aquela fosse provocar algum descontentamento. Sabia perfeitamente que ele não estava preparado para me ver sair tão cedo. Mal eu sabia que ele iria aceitar, mas impondo as suas condições.

 

No dito dia, ali estavamos nós. Três familias reunidas, numa amena conversa, disfrutando de um delicioso jantar, que havia sido cozinhado pela minha tia. Na nossa familia todas tinhamos uma habilidade especial para a cozinha, passada de geração em geração. Um dia seria eu a servir um fabuloso repasto, estava ansiosa por isso e por ter sempre do meu lado o meu fiel amor. Já nos imaginava na nossa casa, partilhando uma vida juntos. Diz a sabedoria popular que “quanto mais alto o sonho, maior a queda”. Estava prestes a ver tudo cair por terra.

 

Após a sobremesa, o Joaquim agarrou na minha mão e ergueu-se perante todos. Dirigiu-se ao meu pai de forma educada e pediu-lhe a minha mão em casamento. Soltaram-se algumas exclamações de surpresa, vindas das nossas mães e um esboçar de um belo sorriso na cara do pai do Joaquim, bem como nas caras dos meus tios e primo. Apenas o meu pai se mantinha impávido e sereno, olhando o Joaquim olhos nos olhos. Perante o seu silêncio, todos o olharam atentos, já sem sorrisos. O Joaquim apertou-me a mão, em sinal de aflição, sem saber o que fazer ou dizer. Até que ouvimos de sua justiça e a sua resposta deixou-nos a todos atónitos. Disse ao Joaquim que ainda era cedo para tal passo e que só permitiria que nos casássemos após eu completar os 21 anos. Disse ter planos para o meu futuro e que pretendia que eu estudasse Belas Artes em Inglaterra por três anos. Senti-me desfalecer e pouco recordo do resto dessa noite. Lembro-me apenas de ver o Joaquim à minha cabeceira, segurando-me a mão e beijando-me a face, dizendo que tudo se iria resolver. Que esperaria por mim e que o seu amor duraria para todo o sempre.

 

Pergunto-me se hoje em dia me teria feito tais promessas tolas....


Ass: Rosa

sinto-me: calma
música: feist - one evening
marcadores:
escrito por reversivel às 01:11
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1 comentário:
De Daniela a 8 de Maio de 2007 às 09:29
Miga, tenho saudades nossas.





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Vá lá! Kiss

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