Segunda-feira, 30 de Abril de 2007

Momento

Existem três momentos que guardo na minha memória como dos mais importantes e, mais que isso, emotivos. Sem querer colocá-los por qualquer ordem hierárquica, conto-os cronologicamente. O primeiro momento especial foi o início da minha relação com a Rosa. Ainda hoje recordo cheiros, cores, ecos de outros tempos em que tudo era mais fácil. O segundo momento, que ao fim ao cabo acaba por ser um culminar de momentos, foi o do pedido de casamento na Serra de Sintra, éramos sós, com o mundo diante de nós, prometendo tanto.

 

 

O terceiro momento, não foi de todo o mais romântico, mas foi o que maior significado teve para mim. A minha data de anos estava próxima, e, com o espírito de criança no natal, ansiava por saber o que é que a Rosa me iria dar. Esta ânsia nem se devia à prenda em si, mas sim pelo significado que trazia adjacente. Já conhecia a Rosa suficientemente bem para saber quais eram as coisas que lhe causavam repulsa e as que, pelo contrário, a deixavam a passear nas nuvens. Ela sempre fora uma rapariga muito ligada às artes, sendo que coisas como o futebol não lhe diziam nada.

 

 

Chegado o dia do meu aniversário, o presente que mais queria era estar com a Rosa e, de uma vez por todas, deslindar o mistério da sua prenda. Era meio-dia quando me levantei, afinal de contas fazia anos pelo que me eram concedidas mais umas horas embriaguez dos sentidos no leito. Dirigi-me para a casa de banho, tomei banho e fiz a barba. Por entre o vapor da água conseguia ver-me no espelho, ainda meio embaciado. Estava um ano mais velho, a minha vida tinha dado uma volta tremenda. Estava diferente, as feições de miúdo despreocupado já tinham desaparecido. Sai da casa de banho e fui para o quarto vestir-me. Em cima da cama estava já a minha primeira prenda. A minha mãe continuava a insistir em comprar-me roupa, apesar dos meus veementes protestos. Contudo reconhecia aquela roupa de algum lado. Não fazia um mês, tinha estado às compras com a minha mãe pela baixa e tinha ficado de olho na roupa que agora tinha na cama. Vesti-me e fui logo ter com a minha mãe para lhe agradecer pela prenda.

 

 

Estava à espera de a encontrar na cozinha, quando para surpresa minha, no lugar dela estava a Rosa. Era como se fosse uma premonição do futuro que nos esperava. Fui ter com ela e dei-lhe um beijo. Informou-me que os meus pais tinham ido passear e que parte da minha prenda era a que tinha diante de mim. Uma refeição feita pela minha mais que tudo. Almoçámos descontraidamente falando sobre trivialidades, sendo que por volta das 15h acabámos por sair de casa. Fomos passear à beira-rio. Estava um belo dia de estio propício a passeios. Lembrei-me de ir comprar gelados e quando ia para pagar a Rosa impediu-me com um sorriso na cara, afirmando que este era o meu dia, pelo que ela pagaria a despesa.

 

 

Chegadas as 18h, o João apareceu no seu carro. Cumprimentou a sua prima e deu-me os parabéns. Não percebia muito bem o que é que se passava à minha volta, mas a presença do João era algo suspeita. A Rosa pediu-me que entrasse no carro dele e que a deixasse colocar uma venda nos meus olhos. Concedi-lhe o pedido, pois certamente seria outra surpresa agradável como a de horas antes ainda em minha casa. O caminho ainda foi longo pelo que consegui perceber e ainda para mais apanhámos um pouco de trânsito. De qualquer forma ainda estava para saber o que me esperava. Antes de me desvendar os olhos, a Rosa disse que me amava muito e que ela queria que esta primeira prenda fosse especial. Quando me tirou a venda, tinha diante de mim o estádio da luz. Foi aqui que fiquei a saber que poderia contar com a Rosa. Apesar de odiar futebol assistiria ao jogo ao meu lado, para partilhar um pouco da minha felicidade.

 

 

 

Afinal o que é o amor se não o sacrifício e devoção pela outra parte?


Ass: Quim
sinto-me: espectante
música: led zeppelin - no quarter
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escrito por reversivel às 20:22
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1 comentário:
De Masterfull a 3 de Maio de 2007 às 00:31
Só de imaginar esta prenda magnífica fico com arrepios na espinha e com uma lágrima no canto do olho.

Só mais uma coisa: já te levei ao Estádio da Luz mas não te amo! Espero que isto fique esclarecido!
"No second intentions... sorry"

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