Domingo, 15 de Abril de 2007

É oficial

 Sexta-feira. Fui ao guarda-roupa, tirei-o e estendi-o sobre a cama. Verde-esmeralda, a cor dos meus olhos.  Tudo tinha sido planeado ao minímo detalhe. Apenas pelas mulheres da casa, claro.

 

Enquanto ajudava a minha mãe a preparar o repasto, olhava-o. Estava nervoso, afinal. Julguei que se sentiria seguro, não era ele que estava em cheque, mas o homem forte, frio e imponente que representava todos os dias, estava inseguro. Fumava aquele que me pareceu ser o seu mais longo charuto e também o mais pensativo. Um homem na casa dos 50, alto, encorpado, diminuído com o propósito de um jantar?!

 

O cheiro da colónia enebriava-me os sentidos, mas não conseguiu distrair-me do som da campainha. Pareceu-me sentir o seu cheiro à distância. Desci apressada, quase tropeçando pelas escadas e fui até à porta. Estava tão bonito o meu amor! Não obstante o facto de andar sempre bem arranjado, hoje estava especialmente composto. Elogiei-o e sem que ele precisasse dizer palavra, soube que também ele me achava deslumbrante. Ficámos em silêncio a sorrir um ao outro, quando a minha mãe se aproximou. O Joaquim estendeu-lhe um belo ramo de camélias, eram as suas flores favoritas. Ao cumprimentá-lo, soube que também ela tinha sido conquistada por ele à primeira vista, como fizera comigo há largos anos atrás.

 

Levámo-lo à presença do chefe de familia, a quem estendeu a mão de forma firme e cordial. Fiquei tão orgulhosa dele e da sua coragem. Não que dúvidasse de que ele fosse capaz, apenas sabia que jamais tinha enfrentado esta situação embaraçosa. Perante os olhares incrédulos meu e da minha mãe, o meu pai levantou-se e apertou-lhe a mão, afirmando a sua satisfação por conhecer o namorado da filha. Este ofertou-lhe uma garrafa de vinho que bebemos ao jantar. Refeição essa que correu melhor que esperava, uma conversa amena, centrada obviamente no Joaquim e em descobrir se seria o rapaz acertado para mim, aos olhos dos meus progenitores.

 

Findado o jantar, recolhi a loiça com a minha mãe, enquanto o meu pai e o meu querido desapareceram para a sala. Instantaneamente, senti-me apoderada de algum receio, insegurança. Não queria que o meu pai espantasse o Joaquim. Tinha esperado tantos anos para estar com ele, não queria que nada deitasse a perder o que já tinhamos construído. A minha mãe notou a minha ansiedade e tratou de me acalmar, dizendo conhecer bem o seu marido e que o seu gesto só poderia significar que a postura do Joaquim o aprazera.

 

Do buraco da fechadura, vi que se abraçavam na sala e em seguida o meu pai chamou-nos. Seguiram-se as despedidas e acompanhei o Joaquim à porta, pensando que estavam findadas as surpresas dessa noite. Eis que, quando lhe perguntei como tinha sido a conversa, ele me oferece um anel em prata, que selava a oficiosidade da nossa relação. Fiquei sem palavras e antes que conseguisse dizer algo, ele beijou-me e saiu dizendo-me que estariamos sempre juntos. Vi-o desaparecer atrás da porta, sem me conseguir mexer.

 

Era bom que ainda hoje sentisse o mesmo que senti aquela noite ao vê-lo sair pela porta....

Ass: Rosa

 

sinto-me: pensativa
música: Dave Matthews - Stay or leave (live)
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escrito por reversivel às 05:01
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