Sexta-feira, 23 de Março de 2007

A revelação

Sexta-feira à noite. Estava eléctrica, nervosa, inquieta. Sentia o sangue pulsar-me à flor da pele, suores frios. Andava de um lado para o outro. A minha mãe observava-me da porta, serena. Olhei-a e senti-me corar. Ela sentou-se na minha cama, fez-me sinal para que me sentasse. Disse-me que estar apaixonada era das coisas mais belas que me iria acontecer em toda a vida. Perguntou-me quem era. Senti-me relutante em contar-lhe, mas a verdade é que não poderia escondê-lo muito mais tempo. Ela conhecia o Joaquim e nunca tinha ignorado o sentimento que eu nutria por ele desde criança.


Fui para casa do primo João, como sempre fazia aos fins-de-semana, especialmente desde que tinha reecontrado o Joaquim. Os meus tios sabiam perfeitamente que namorávamos e era com o seu consentimento. Já me tinham aconselhado a falar com os meus pais, mas eu queria ter mais certezas antes de transmitir a noticia ao meu pai. Era um homem algo conservador. Saber que a sua filha com 16 anos estava a namorar, com certeza ia deixá-lo furioso e poderia impedir-me de ver o Joaquim.

 

Ouvi a campainha e apressei-me a descer. Eis que vejo o Joaquim, que me recebe com um sorriso apaixonado. Enquanto nos abraçavamos, trocámos um beijo terno e este estendeu-me um belo ramo de rosas. Sempre a surpreender-me. Subimos para o quarto do João e passámos a tarde a conversar acerca de Nós. Contou-me que havia dito aos pais que estava a namorar comigo. Mais uma surpresa.

 

A principio fiquei um pouco relutante, mas ele tratou de me descansar de imediato. Era facto que ele queria mesmo oficializar as coisas. Passámos o resto da tarde a ouvir música e a conversar. Estar com o Joaquim era como viver separada do mundo e de todo o mal que ele nos podia trazer. Como se embarcasse numa viagem de barco e avistasse apenas um pedaço de terra na linha do horizonte.

 

Terminado o meu fim-de-semana de amor, voltei a casa. Sentei-me para jantar e comecei a conversar com os meus pais. Ignorei o facto de a minha mãe já conhecer a história e falei sobre o Joaquim. Expliquei quem era, o que fazia, onde o tinha conhecido e há quanto tempo namorava com ele. Ouvi um rosnar de palavras vindo da direcção do meu pai. O caos instalou-se. Gritava comigo em plenos pulmões. Proibiu-me de vê-lo. Por entre soluços perguntei-lhe o que poderia fazer para que ele aceitasse o meu namoro. Disse-lhe que amava o Joaquim e ele a mim. Respondeu-me com um seco “O que percebes tu de amor, ainda ontem deixaste as fraldas!”.

 

Corri para o meu quarto. O que mais temia havia acontecido. O meu pai nunca iria compreender o quanto eu e o Joaquim nos amavamos e só ia tentar destruir tudo. Senti-me morrer por dentro. Cada pedaço de mim ia definhando, os orgãos cediam à dor como se de um cancro se tratasse. Estive dias a fio na cama, doente. Delirava com febre, chamava pelo meu amor.

 

Findada uma semana, o meu pai cedeu. Não aguentava ver-me assim. Custava-lhe que a sua única filha, com apenas 16 anos, tivesse já um namorado, mas cedeu. Concordou deixar-me namorar com o Joaquim, com a condição de ele jantar lá em casa e fazer o pedido oficialmente. Para mim este pedido era obviamente a maior estupidez que alguma vez tinha ouvido. Afinal, já não estavamos propriamente na época da ditadura, mas cedi. Era a única maneira. Prometi falar com o Joaquim.

 

Estava receosa. Quando o vi entrar pela porta, sempre com o seu sorriso, receei que momentos depois ele fosse alterar a sua expressão para uma mais pesada e fosse sair sem dizer nada. Expliquei-lhe toda a situação, olhava-me incrédulo. Sem que lhe perguntasse, disse-me que iria jantar com os meus pais com todo o prazer.


E assim foi.......


Ass: Rosa

sinto-me: vitoriosa
música: Kings of Tomorrow feat. Julie mcknight - Finally
marcadores:
escrito por reversivel às 03:04
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1 comentário:
De Daniela a 26 de Março de 2007 às 16:15
:)
Espero que isto saia em livro

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