Sábado, 10 de Março de 2007

A tarde em que tudo mudou

Estava especialmente nervoso nessa tarde. O Verão já havia passado, tendo sido substituído pela decrepitude do Outono. De qualquer forma parecia-me a altura adequada para propor o desafio. Celebraríamos a decrepitude Outonal com o nascimento de algo novo.

Como já se tornara hábito, fui buscar a Rosa a casa do João para passearmos pela cidade. A minha presença aos fins-de-semana naquela casa já era tomada como algo de natural. Os nossos passeios levavam-nos sempre a um qualquer miradouro onde, mais que contemplar os magníficos pores-do-sol, me perdia nos olhos da Rosa, magicamente iluminados pelo lusco-fusco. O calor e a luz do sol ainda se faziam notar, mas os dias estavam mais curtos, ao contrário do que eu sentia por ela que, a cada dia que passava, se tornava exponencialmente maior. Uma leve brisa percorria o miradouro, como que anunciando que o tempo urgia, que a noite estava mesmo aí. As minhas mãos suavam e o meu batimento cardíaco estava anormalmente acelerado. Tinha que ser agora, não queria esperar nem mais um dia.

Expliquei à Rosa o que sentia por ela, como que se de uma desculpa se tratasse para o que eu, em seguida, lhe diria. Queria passar mais tempo com ela, aliás, queria passar todo o tempo com ela, se tal desejo me fosse concedido. Foi então que, pondo todo o receio de rejeição de lado me declarei, pedindo-a em namoro. A Rosa respirou fundo e durante algum tempo não conseguiu formar algo que se assemelhasse a uma palavra. Enquanto sondava nos seus olhos uma resposta, vi surgir uma lágrima que lhe escorreu na esbelta face. Essa lágrima multiplicou-se e pensei que estava tudo perdido, até perceber que eram lágrimas de felicidade. Entretanto a noite já se havia levantado, fazendo-se sentir o frio que a acompanha. Emprestei o meu casaco à Rosa para que se abrigasse. Neste momento a Rosa parecia uma criatura frágil envolta num casaco bastantes números acima do dela. Levei-a a casa do João.

Era a primeira namorada a sério que tinha. O que sentia por ela não se equiparava a nada que tivesse sentido antes. Despedimo-nos com um beijo que me fez estremecer por completo, bem mais intenso do que alguma vez poderia ter imaginado. Durante todo o caminho para casa não conseguir disfarçar o sorriso de felicidade. Agora as coisas eram a sério.

Se ao menos hoje tivéssemos metade do que tivemos outrora!!!


 

Ass: Quim

sinto-me: Com a cabeça noutro sítio
música: Love Song - Korn
marcadores:
escrito por reversivel às 19:02
link do post | opina | favorito
|
1 comentário:
De Cobain a 11 de Março de 2007 às 23:30
Ok... relembrar às vezes faz mal... Mas depende... Será que nao podemos fazer escolhas em k acreditamos k num dia futuro vamos dar valor ao q tivermos? Acho k a chave será um carpe diem constante, em k nos atiramos de costas, com os olhos fechados, cagando completamente quais os braços q nos segurarao no futuro...
O futuro nao é olhar p um passado parado, mas andar cegamente p o proximo passo...

Comentar post

badge

.reversibilidade ao pormenor

.pesquisar

 

.Abril 2009

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.clica para fugir daqui

.marcadores

. todas as tags

.o nosso dia-a-dia

.O que se ouve por aqui

blogs SAPO

.subscrever feeds