Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

Será o adeus final?

  

 

   Coloquei a mesa para quinze, quinze amigos. Estava feliz, emocionada, fragilizada. Finalmente me tinha atingido a ideia de ficar longe de todos aqueles que eram especiais e importantes para mim. Cada uma daquelas pessoas tinha um pedaço de mim, do meu coração. Cada um deles estava gravado na minha memória por um ou mais momentos inesquecíveis.

 

   Desejei que todos estivessem ali, todos pelo mesmo motivo. Ou quase todos! O Joaquim viria apenas para me testar, de certa forma. Precisava de saber se estava mesmo tudo acabado. Até aquele arrepio frio que nós dá sempre ao ver alguém que já foi importante. Alguém que marcou ou fez ferida. A história interrompida. O livro rasgado a meio. Precisava de desfazer todas as dúvidas antes de embarcar na maior aventura da minha vida! Uma vida a dois!

 

   20:00. Começaram a chegar as primeiras pessoas, as minhas melhores amigas. Estavam lindas, crescidas, mulheres. Sentia muitas saudades delas, dos nossos tempos de meninas. Despreocupadas, livres, unidas e leais. Era bom relembrar tudo o que tinhamos passado juntas e o quão era forte o nosso elo! Cumprimentei-as carinhosamente e distribuimos elogios umas às outras. Tinha escolhido o vestido verde. O mesmo que já usara para impressionar o Joaquim. Hoje não necessitava de impressionar, apenas o escolhi porque me trazia sempre um sentimento de esperança e alegria.

 

   Soou a campainha e apesar de eu não ter ainda aberto a porta, já sabia quem se encontrava do outro lado. Cumprimentei o João com um abraço apertado e sentido. Troquei um longo olhar com o Joaquim e, por fim, também nos abraçámos. Não podiamos esquecer tudo o que se tinha passado, não podiamos ignorar que o nosso elo era diferente, mas também era forte. Entregou-me uma caixa, que parecia ser um disco. Agradeci-lhe e seguimos todos para a sala, onde nos aguardava a mesa do jantar.

 

   Ouviram-se muitas gargalhadas nessa noite, muitas palmas, muitos gritos de felicidade e, no seu final, muitos choros e lágrimas contidas. Foi uma noite em que os corações de todos nós batiam forte e em compasso e estavam a um palmo da boca, junto com as palavras de saudade.

 

   Quando todos sairam, fiquei imóvel naquela sala. Sentia-me vazia. Tinha transbordado de emoção toda a noite, tinha-me sentido acarinhada e completa. Agora que todos haviam partido, sentia-me num vácuo imenso. Comecei a abrir as prendas e as lágrimas brotavam, quatro a quatro. Todos aqueles objectos eram recordações de momentos vividos e partilhados com cada um. E à medida que a minha angústia aumentava, ao abrir e escutar o presente do Joaquim, tive a certeza de que estava a cometer um erro. Não podia ir viver para Londres permanentemente. O álbum que ele me ofereceu continha muitas das nossas músicas favoritas. Aquelas músicas que tinham embalado os nossos momentos a dois, que tinham limpado minhas lágrimas quando tudo terminou, as bandas sonoras do nosso amor.

 

   Num impulso peguei no telefone e marquei o seu número... e enquanto escutava o sinal de chamada tive impressão que toda a minha vida me passava pelos olhos como um filme.....

 

 

 

Ass: Rosa

sinto-me: feliz!
música: natasha bedingfield - soulmate
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escrito por reversivel às 23:21
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