Domingo, 18 de Janeiro de 2009

Cada gesto tem a sua consequência

Num desses dias em que o tempo nos convidava a ficar em casa, tive uma inesperada visita do meu bom amigo João. O seu semblante, apesar de amável como sempre, estava desta feita algo carregado. Já não bastava a intempérie me que prendia no conforto de casa, como outra se adivinhava, estoutra que não molhava, queimava.

 

Após a ronda de cumprimentos do João lá por casa, pediu-me para falarmos em privado, pois tinha um assunto que queria discutir comigo. Subimos para o meu quarto e ao entrar, o João pediu-me que não ligasse o gira-discos, pois a conversa seria séria e precisava de toda a minha atenção. Eu estranhei mas concedi. Abri a janela e acendi um cigarro. Olhei-o nos olhos e disse que podia começar. O João estava agora mais agitado e parecia-me impaciente. Pedi-lhe que me dissesse logo ao que vinha pois não tinha paciência para este tipo de silêncios.

 

Após inspirar bem fundo começou a debitar informação. Talvez estivesse convencido de que me contando o mais rápido possível, tornaria o processo indolor. Falava-me da Rosa, dos seus planos, das suas opções. Por momentos desliguei, até que ele me perguntou o que eu tinha para dizer. Regressado à conversa, não sabia o que dizer. O João lançou-me um olhar de frustração e repetiu a questão, desta feita mais docemente.

 

Tinha, então, de responder se estaria presente no jantar de despedida dela. Esta pergunta assumia claramente contornos retóricos. O João já sabia que eu iria rejeitar, por isso logo tratou de me fazer a cabeça para que fosse. Disse-me que já tinha falado com a Rosa, que lhe tinha dito que eu iria sozinho. Comunicou isto à Mafalda que não se opôs e achou inclusivamente boa ideia, uma forma de fechar assuntos pendentes. Estava encurralado, só havia uma forma de sair desta situação, solução essa que passava por estar presente nesse tal jantar.

 

Adverti o João de que o faria por respeito, simplemente. Apesar de a ideia não me agradar nada, tinha o meu melhor amigo a fazer grande pressão para que fosse. Tinha ainda "autorização" da Mafalda que entendia esta como a situação perfeita para arrumar as questões passadas. Além disso a despedida da Rosa seria um até sempre, pois voltaria a Portugal, pelo que as coisas não podiam ficar como estavam.

 

"Decidi" ir. Como mandam as regras de boa educação e dada a situação que se vivia tive que ir procurar um presente de despedida. Se soubesse o impacto que teria, nunca teria oferecido tal coisa...

sinto-me:
música: Acetate Prophets - Jurassic 5
escrito por reversivel às 21:42
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